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domingo, 15 de abril de 2018

Home. Chapter 1 - Lost


Narrador ON:

Harry passara os dois primeiros dias em Doncaster desfazendo toda aquela bagunça, esvaziando todas as caixas e organizando tudo na pequena casa que conseguiu alugar com suas economias. Quinhentos dólares não serviam para quase nada. E ainda precisava alimentar Milk, que se esfregava em suas pernas pedindo por algum alimento. Somente no terceiro dia ele pode finalmente sair de dentro de sua “toca” e conhecer novos ares. A rua felizmente era pequena e os vizinhos realmente adoráveis. Suzi, a velhinha da casa ao lado prometeu lhe levar um bolo de cenoura no dia seguinte como forma de boas vindas. Cat e seu marido Thomas ofereceram-se para hospeda-lo caso seu dinheiro se esgotasse antes de ele conseguir algum emprego. Ernest, um velho simpático que vive sozinho, na casa em frente a sua, ofereceu-se para doar alimentos, caso faltasse algo em sua geladeira.  A terceira casa a frente da sua estava vazia naquele momento, ele decidiu então que se apresentaria em outra ocasião.
No quarto dia, ele finalmente conseguiu um emprego, seria balconista em uma padaria. O salário não era grande, mas conseguiria ter uma vida boa e talvez, em alguns meses, pudesse alugar outra casa, um pouco mais espaçosa. Naquela tarde mesmo já fez seu primeiro expediente e recebeu pelas horas trabalhadas. Passou em um mercado na esquina da outra rua e comprou uma comida especial para sua felina. O bichano agradeceu-o com uma lambida na bochecha.

No quinto dia, Harry trabalhou durante o dia e compareceu a faculdade no turno da noite. Mal comeu no intervalo de suas obrigações. E quando chegou em casa estava exausto, com dor nos pés e muita fome. Ele realmente havia pensado que a vida sendo independente era fácil. O garoto se jogou no sofá e fechou os olhos. O relógio marcava onze e quarenta e seis e ele nem havia tomado sequer um banho. Assim que o fez, fritou alguns ovos com pedaços de carne picadas ao meio e cortou uma fatia do pão de seu local de trabalho. Sentado a mesa saboreando aquela refeição e com o corpo limpo parecia ter tirado no mínimo três anos de suas costas.

No sexto dia o rapaz acordou muito cansado, porém precisava comparecer ao trabalho. Pôs em sua cabeça que estava assim por que não estava acostumado com essa correria, logo estaria mais disposto.  Seu dia na padaria foi corrido, era o dia mais movimentado da semana. E a faculdade não perdoava atrasos, infelizmente naquele dia ele havia ficado seis minutos para trás e precisou esperar para entrar na sala. Enquanto isso descansou um pouco suas pernas doloridas. Ele estava mesmo um caco. E já havia chegado a conclusão de que aquela vida não fora feita para ele.

Harry ON:

Somente na manhã de domingo eu dei por falta de Milk. Ela estava sempre atrás de mim por onde quer que eu andasse e agora não está em lugar nenhum desta casa. Ela não me pediu mais sua ração matinal e não pediu que eu a colocasse debaixo das cobertas. Meu coração apertou-se ao pensar que ela poderia estar passando fome ou frio, ou ainda pudesse ter sido atropelada e um humano sem coração jogado seu pequeno corpo em algum buraco para outro animal comer. Minha pobre Milk. E a culpa de tudo isso é minha, ela gosta muito de atenção e nos últimos dias não tenho conseguido fazer com que ela se sinta tão bem assim. Eu sou um péssimo irmão. Eu sou um péssimo filho. E agora também um péssimo pai. Parabéns Harry!

Vasculhei por todos os cantos da rua e não encontrei nenhuma pista. Então decidi pedir a cada um dos vizinhos conhecidos se tinham encontrado ela. Apreensivo em casa porta que bati. A terceira casa chegou , prometi a mim mesmo vir até aqui me apresentar e vou aproveitar este momento para procurar a minha preciosidade. Precisou apenas duas batidas para que um garoto que aparentava ser mais velhos, com belos olhos azuis que me causaram certo arrepio e dono de cabelos arrepiados e morenos abrir a porta. Ele ainda usava um pijama cinza e pantufas estofadas em forma de coelho nos pés.

- Olá, sou Harry Styles, seu novo vizinho  – estendi a mão – é um prazer conhece-lo.

Ele me encarava confuso, o que me fez pensar se eu estava com pasta de dente nas bochechas ou com comida na minha roupa. Certifiquei-me que nada estava errado comigo. Só então observando bem seu rosto pude perceber o quão belo era. Me contive em elogia-lo naquele momento.

- O que está fazendo na minha casa às – olhou para o relógio de pulso – OITO E MEIA DA MANHÃ – gritou- Você não dorme, Harry ?

Ele acha oito e meia, tarde? Há esta hora minha mãe já tomou o café da manhã, arrumou todos os papéis da empresa em que ela trabalha e foi fazer academia. Minha irmã já deve estar trabalhando há mais de uma hora. E ele acha cedo? Deve ser mais um filhinho de papai.

- Eu d-durmo, mas – fiquei muito nervoso para falar sem gaguejar – E-eu acho que perdi m-minha gatinha. Você a viu?

Estava com muito medo de ele rir da minha cara e me achar o maior banana do mundo. Ao invés disso estava curioso, fez várias perguntas sobre como ela é e se ela tinha algum objeto que a identificava.  Eu lembro-me da coleirinha que comprei logo que a achei jogada na rua. Uma coleira cor-de-rosa com um pingente em formato de flor. Eu mesmo escolhi esse símbolo.

Ele parecia interessado demais nela. Não duvido que não tenha roubado a minha menina. Sabe-se lá o que está fazendo com ela. Mas... Ela ouviria a minha voz e correria até mim, se estivesse por aqui. Alguém a pegou, eu sei disso. E ele também.

- Seu bichano está dormindo na minha cama – meu coração deu uma reviravolta – Se quiser, pode ir lá busca-la.

Eu corri até o cômodo indicado por ele e a encontrei em um sono tranquilo sobre o travesseiro. Por alguns segundos observei o quarto, pôsteres na parede, nenhuma foto nos álbuns, um cheiro de cereja forte no ar e o vento fraco que soprava pela janela. Peguei Milk no colo e a repreendi por ter sumido da minha vista, também contei sobre ter ficado preocupado com sua saúde. Agradeci ao meu vizinho e saí de dentro de sua casa com o meu tesouro nos braços.

Eu estava radiante naquela manhã. Depois do susto, ela ficou o dia todo por perto. Enquanto eu limpava a casa ela andava junto comigo. Enquanto eu comi, ela permaneceu sentada na cadeira ao lado, e quando peguei o cobertor e fiz pipoca de caramelo para olhar o filme, ela se aninhou encostada ao meu peito. Enquanto eu dormia, ela deitava sobre a minha barriga e fazia o mesmo. Eu não sei o que faria sem ela.

Louis ON:

Aquela gatinha linda estava na minha porta pela manhã, no sábado. Notei que tinha dono, pois usava uma coleira igualmente bela. Eu sempre amei gatos brancos. Peguei-a no colo e levei até a cozinha, dei a melhor comida que eu havia feito para consumo próprio e a vi comer até saciar toda a sua fome. Ela então lambeu o meu pé e sentou no meu colo sobre a cadeira. Ela definitivamente seria minha agora, seja lá qual for o descuidado que a deixou desprotegida em algum lugar do mundo. Ela era como uma sombra, aonde quer que eu fosse, ela estava. Sentia-me solitário naquela casa e a companhia dela me fazia sentir vivo. Ela parece ter gostado do meu cheiro.

À noite, ela dormiu comigo. Esquentou-me e me deu carinho. Seu ronronar soava fraco e me fez pegar no sono rápido. Infelizmente no domingo um garotinho que parecia ser muito irresponsável mesmo bateu a minha porta perguntando por sua felina. Fiz várias perguntas para certificar-me que era a minha pérola. Eu já havia dado um nome para ela. Pérola. Ela já era minha, ou pelo menos eu pensava que era.

Em um misto de raiva por tê-la perdido e um pouco de raiva, apontei para o garoto onde ficava meu quarto. Eu a havia visto lá minutos atrás em um sono profundo. Agora eu o pegava examinando os detalhes do cômodo, antes de pegar a felina no colo e sair rápido pela porta da frente, me deixando sozinho novamente. Eu e os meus malditos pensamentos nos olhos verdes do garoto que perdeu seu animal de estimação.

Que merda, Louis! É só um garoto.

Lindo, por sinal. Porém, um garoto. Ele deve ter um seis anos a menos que você, vá procurar alguém da sua idade. Oh, mas ele me atraiu. Ele não era de se jogar fora. Harry Styles levou Pérola, mas deixou seu cheiro. E que cheiro delicioso.

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